Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve e branca e misteriosa
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu poeta, o beijo que procuras!

Trecho do poema Horas rubras (Florbela Espanca)

“O beijo – Um poema musical” nasceu do envolvimento do compositor com a poesia, inicialmente e, posteriormente, de estudos realizados sobre o tema, em seus vários aspectos, e a observação da importância dessa atitude na vida das pessoas. Presente no dia a dia, um simples beijo pode demonstrar afeto, carinho, confiança, devoção e, ao mesmo tempo, simbolicamente, um cumprimento formal.

O simples e prazeroso ato de beijar provoca os outros sentidos e, por meio das terminações nervosas existentes nos lábios, tornam essa experiência, um ato muito agradável. Em alguns casos, uma experiência única.

Na paixão, o beijo é sempre um propósito que gera atração, desejo e amor entre duas pessoas. Corações disparados, respiração irregular e os olhos… fechados. O envolvimento dos braços e as bocas coladas, associados ao prazer do corpo e dos sentidos. O suspiro e o gemido despertando lembranças perdidas em nossa memória evolutiva.

O beijo da criança, com sua suavidade e pureza… O beijo no pai e na mãe nos envolvendo em uma aura de gratidão, carinho e respeito. O beijo no filho, reafirmando a cada instante a confiança e a proteção incondicional. O beijo amigo nos conduzindo à solidariedade e ao cuidado. O beijo apaixonado evocando carícias e desejos… Tudo isso representa um pouco de nossas experiências sensoriais. Do encontro de nossa alma com sentimentos que atravessaram a história da humanidade e continuam presentes com todo o seu frescor na condução de nossas vidas.

Carolina Correa
Carolina Correa
Christiano Caldas
Christiano Caldas
Geraldo Vianna e Esdra Ferreira (Neném)
Geraldo Vianna e Esdra Ferreira (Neném)
Ivan Corrêa, André Cabelo e Léo Pires
Ivan Corrêa, André Cabelo e Léo Pires
Lincoln Cheib
Lincoln Cheib
Regina Milagres e Geraldo Vianna
Regina Milagres e Geraldo Vianna
Sérgio Rabello
Sérgio Rabello
Zeca Magrão
Zeca Magrão

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Horas rubras

Florbela Espanca

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…

Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…

Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…

Sou chama e neve branca misteriosa…
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Do “Livro de Sóror Saudade

Um beijo

Olavo Bilac

Foste o beijo melhor da minha vida, 
ou talvez o pior…Glória e tormento, 
contigo à luz subi do firmamento, 
contigo fui pela infernal descida! 

Morreste, e o meu desejo não te olvida: 
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, 
e do teu gosto amargo me alimento, 
e rolo-te na boca malferida. 

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, 
batismo e extrema-unção, naquele instante 
por que, feliz, eu não morri contigo? 

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, 
beijo divino! e anseio delirante, 
na perpétua saudade de um minuto…

Ficha técnica:

Geraldo Vianna: Composição, arranjos, programação, violões, guitarras, pianos elétricos e bandolim
Regina Milagres: Voz
Carolina Corrêa: Declamação de poemas
Ivan Corrêa: Contrabaixo
Léo Pires: Bateria
Seca Magrão: Percussão
Sérgio Rabello: Violoncelo
Participação de Lincoln Cheib, Esdra Ferreira (Neném) e Christiano Caldas
Gravação: Denis Martins e André Cabelo
Mixagem e masterização: André Cabelo (Engenho Estúdio Multimídia)