Os meses avançando lentamente… As noites longas e os dias fatigantes. Os ponteiros do relógio se tornando preguiçosos. Como no avançar da madrugada, quando mirados por olhos despertos.

Aqueles dois olhos, sem cor, me espreitavam com alguma curiosidade. Talvez…
Imaginei os faróis que iluminariam a beleza que se apresentaria com o tempo. Seria um guia cuidadoso. Daria a direção e teria a paciência que deixa o despertar se anunciar naturalmente. Como o criador, no dia da criação, quisera ter olhos para presenciar a percepção que se elabora no vazio do saber. No denominar das coisas que primeiro sentimos. Nas belezas que existem antes de terem nomes.

O céu da alma, as nuvens das formas e das sombras… A lua decorando o sonho. E o tempo passando. As estrelas dando brilho à longa noite e prenunciando a madrugada… o dia. E a vida passando, seguindo… E tudo mudando.

Os olhos ganhando cor. E todas as coisas… Ganhando nomes. A vida e os sonhos vivendo outras experiências. Outros caminhos. O acaso, o inesperado. Os meses se apressando. As noites se tornando curtas e os dias…

Os dias não mudaram.

A calma envolvendo e domando a ansiedade, a intolerância. As dores. Os olhos se acostumando com o saber das coisas, sem curiosidade. Sem conhecê-las.

Soprou as velinhas. Partiu o bolo. Lá se foram onze anos. Com quem será… Com quem será? Todo o caminho se transformando. A soma de tudo se convertendo em paz. Dando lugar à dúvida, à incerteza… À busca. Sorrisos, aplausos. A roda girando e a vida ensinando. Nós… Os outros.